Título em
português: A Melhor Juventude
Realizador: Marco Tulio Giordana
Ano: 2003
País: Itália
Argumentista:
Sandro Petraglia e Stefano Rulli
Fotografia:
Roberto Forza
Elenco
principal: Luigi Lo Cascio, Alessio Boni, Jasmine Trinca, Adriana Asti, Sonia
Bergamasco
Duração: 6
horas e 6 minutos
“'A Melhor
Juventude' de Marco Tullio Giordana é tão ambicioso e desproporcional que
poderia ter-se arruinado (…) O risco, perceptível na primeira parte, era o
efeito Bignami, a recapitulação guiada pela retrospectiva, a criação de figuras
simbólicas que, em vez de fazerem história, recriando-a directamente, por assim
dizer, foram influenciadas por ela. Personagens funcionais, em suma, reféns da
necessidade de encontrar uma síntese e atravessar todos os gargalos, escalar
todos os picos, enfrentar todos a crise dos últimos quarenta anos. Para
contornar estes riscos, Giordana e os guionistas Sandro Petraglia e Stefano Rulli focaram-se inteligentemente em duas opções básicas: a primeira, não dar
explicações, não procurar causas e razões, rejeitar a abstracção para ficar
perto dos rostos, dos corpos, dos sentimentos, porque é disso que são feitas as
histórias com que se escreve a História. Não pergunta muitos porquês, mas
especifica sempre os comos. Segundo, estruturar toda a história, com todas as
suas ramificações, como uma família de histórias. . (...) Na América teriam
feito um musical com material parecido. Na Itália, terra natal de Verdi, só
poderia ser um melodrama. Um grande melodrama que nos permite chegar a um
acordo connosco próprios (com o nosso passado). E fazer a paz." (Fabio
Ferzetti, 'Il Messaggero', 20 de junho de 2003)
"O que os guionistas Rodolfo Sonego fizeram pelo nosso cinema com 'Una
vita difficile' (1961), de Dino Risi, e Age & Scarpelli com 'Tão Amigos Que
Nós Éramos' (1974), de Ettore Scola, Stefano Rulli e Sandro Petraglia fizeram
pela primeira vez na nossa melhor televisão com 'La vita che verrà' (1999,
direção de Pasquale Pozzessere), continuando, hoje, cronologicamente a partir
de onde aquela história parou. Ou seja, conceber e escrever um romance popular
sobre a vida colectiva de uma geração italiana. Aquela, em 'A Melhor Juventude',
de quem tinha vinte anos em 1968. Com o toque decisivo de um director ecléctico
e sensível, inteligente e apaixonado. (...). (Paolo D'Agostini, 'la
Repubblica', 21 de junho de 2003)
"Diria que, ao reconstituir os últimos quarenta anos da história da república
italiana, a cavalgada de Marco Tullio Giordana, escrita por Stefano Rulli e Sandro
Petraglia, não tem a ambição de erguer monumentos, mas silenciosamente sugerir
alguns possíveis modelos de comportamento. Do lado público com a afirmação da
solidariedade, o respeito pelos doentes mentais, a necessidade de ordem e ao
mesmo tempo de novidade, a luta contra a máfia, a vontade de viajar e aprender.
No privado, a trama costurada entre revelações e reviravoltas que atestam a
astúcia viva e espectacular dos autores (assuma-se isto como um elogio) não
evita confrontos com os problemas maiores, colocando os personagens frente a
frente com a dor, a loucura, a gestão de escolhas erradas. A duração do filme
serve para nos lembrar que a vida é longa; e dá-nos tempo para reflectir, nos
corrigir, reinventar relacionamentos, mudar radicalmente. Tudo isso não viria à
tona se 'A Melhor Juventude' se
confinasse a um teorema, mas felizmente o conteúdo está imaginativamente
embrulhado nas dobras de uma narrativa livre para se seguir para onde se quiser".
(Tullio Kezich, 'Corriere della Sera', 28 de junho de 2003)
Blog Cinematografo

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