Título: The Picture of Dorian Gray
Título em Portugal: O Retrato de Dorian Gray
Realizador: Albert Lewin
Ano: 1945
País: Estados Unidos
Argumento: Albert Lewin
segundo
o romance “The Picture of Dorian Gray”, 1890, de Oscar Wilde (foi trazido para
português com o título “O Retrato de Dorian Gray”, e a última tradução é de
Catarina Ferreira de Almeida, editada pela Penguin Clássicos, com introdução de
João R. de Figueiredo).
Fotografia: Harry Stradling
Produção: Pandro S. Berman
Elenco principal: Hurd Hatfield, George Sanders, Lowell
Gilmore, Angela Lansbury, Donna Reed, Peter Lawford
Duração: 110 minutos
Há quem considere Albert Lewin como um cineasta literário, considerando o adjectivo um classificativo depreciativo do realizador. É conhecido o papel que Albert Lewin exerceu nos departamentos de guionismo e de selecção de argumentos dos grandes estúdios e produtoras do cinema americano, nas décadas de vinte e de trinta, até ele próprio assumir a direcção de meia dúzia de filmes. Torna-se assim fácil de entender como o argumento assume um peso significativo nos elementos integrantes da sua criação cinematográfica e o seu fascínio pela adaptação de obras literárias.
Mas é incorrecto
encará-lo apenas dessa forma, como é bem notório neste “The Picture of Dorian
Gray”: o constante ritmo da narrativa, a harmonia e a sobriedade na construção
dos planos e das sequências, a verve e o brilhantismo dos diálogos e a elevada
qualidade das interpretações, em particular de George Sanders (num dos seus
mais notáveis papéis), garantem que este belissimo filme possa ser visto ainda
hoje como uma criação bem aliciante.
Convém
salientar que o argumento desta adaptação, da autoria do próprio realizador, mesmo
respeitando as traves-mestras da temática do romance de Oscar Wilde, tem
diferenças significativas, recriando situações e personagens secundárias, com o
intuito de dar maior dramaticidade ao filme e de respeitar, como sucedia na
altura com toda a produção cinematográfica americana, as exigências do Código
Hays. No entanto, na minha perpectiva, tais alterações não prejudicam o filme, transformando-o,
pelo contrário, numa “leitura” cinematográfica original e autónoma em relação à
obra que a o inspirou.
