terça-feira, 3 de novembro de 2026

A PROFISSÃO DAS ARMAS de ERMANNO OLMI

 


Título: Il mestiere delle armi

Título em Portugal: A Profissão das Armas (também já foi titulado por “O Objetivo das Armas”)

Realizador: Ermanno Olmi

Ano: 2001

País: Itália

Argumento: Ermanno Olmi

Fotografia: Fabio Olmi

Produção: Luigi Musini, Roberto Cicutto e Ermanno Olmi

Elenco principal: Hristo Jivkov,  Saša Vuličevič, Sergio Grammatico, Dimitar Ratchkov

Duração: 105 minutos

 

Um dos aspectos mais interessantes deste filme (para além da primorosas recriação e encenação históricas) é a sua peculiar reflexão sobre a as armas e a guerra.

O seu princípio é simples: a guerra, esse “flagelo” intemporal, assentava, na Idade Média, entre outras (poucas) variantes, na bravura e na coragem dos que tinham o “mister” das armas, dada a necessidade do directo confronto físico; com o advento da pólvora e das armas de fogo até esse “mérito” da guerra desaparece. Para fundamentar esta tese, o realizador resolve “reconstruir” rigorosamente os últimos dias de vida de Ludovico di Giovanni De’ Medici, dito de “Bande Nere”, um “condottiero” ao serviço do papa Clemente VII (na guerra que opôs este e Francisco I de França a Carlos V, após a constituição da Liga de Cognac), apresentando-o no filme, com benevolência, como o derradeiro representante da sua condição. A partir desta altura, segundo esta perspectiva, os “guerreiros”, escudados por quem comandam ou ocultos em gabinetes, tornam-se apenas em cobardes “carniceiros” de outros homens.

É evidente que é muito questionável esta teoria. Mas, nos dias de hoje, em que vemos tresloucados completos (ah, Dr. Strangelove, Dr. Strangelove, como te tornaste real em excesso), repimpados nas suas salas climatizadas, que, com total ligeireza, carregam em botões que accionam a morte de centenas de pessoas concretas (mas anónimas para eles) em locais a milhares quilómetros e que eles apenas sabem vagamente localizar, vale a pena assinalar.

Sim, não há dúvida, a distância, associada a sofisticação tecnológica, tornou a guerra brutalmente mais mortífera e a vida real dos “inimigos” em meros “bolts” e “mobs” de um jogo electrónico.  

 


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