Título: Il mestiere delle armi
Título em Portugal: A Profissão das Armas (também
já foi titulado por “O Objetivo das Armas”)
Realizador: Ermanno Olmi
Ano: 2001
País: Itália
Argumento: Ermanno Olmi
Fotografia: Fabio Olmi
Produção: Luigi Musini, Roberto Cicutto e Ermanno Olmi
Elenco principal: Hristo Jivkov,
Saša Vuličevič, Sergio Grammatico, Dimitar Ratchkov
Duração: 105 minutos
Um dos aspectos mais interessantes deste filme (para além da
primorosas recriação e encenação históricas) é a sua peculiar reflexão sobre a
as armas e a guerra.
O seu princípio é simples: a guerra, esse “flagelo”
intemporal, assentava, na Idade Média, entre outras (poucas) variantes, na
bravura e na coragem dos que tinham o “mister” das armas, dada a necessidade do
directo confronto físico; com o advento da pólvora e das armas de fogo até esse
“mérito” da guerra desaparece. Para fundamentar esta tese, o realizador resolve
“reconstruir” rigorosamente os últimos dias de vida de Ludovico di Giovanni De’
Medici, dito de “Bande Nere”, um “condottiero” ao serviço do papa Clemente VII
(na guerra que opôs este e Francisco I de França a Carlos V, após a constituição
da Liga de Cognac), apresentando-o no filme, com benevolência, como o
derradeiro representante da sua condição. A partir desta altura, segundo esta
perspectiva, os “guerreiros”, escudados por quem comandam ou ocultos em
gabinetes, tornam-se apenas em cobardes “carniceiros” de outros homens.
É evidente que é muito questionável esta teoria. Mas, nos
dias de hoje, em que vemos tresloucados completos (ah, Dr. Strangelove, Dr.
Strangelove, como te tornaste real em excesso), repimpados nas suas salas
climatizadas, que, com total ligeireza, carregam em botões que accionam a morte
de centenas de pessoas concretas (mas anónimas para eles) em locais a milhares quilómetros
e que eles apenas sabem vagamente localizar, vale a pena assinalar.
Sim, não há dúvida, a distância, associada a sofisticação
tecnológica, tornou a guerra brutalmente mais mortífera e a vida real dos “inimigos”
em meros “bolts” e “mobs” de um jogo electrónico.

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