Título: U samogo siniego morya (transliteração
do cirílico)
Título em inglês: By the Bluest of Seas
Título em Portugal: À Beira do Mar Azul
Realizador: Boris Barnet
Ano: 1936
País: Rússia
Argumento: Klimently Mints
Fotografia: Mikhail Kirillov
Produção: Mezhrabpomfilm
Elenco principal: Yelena Kuzmina, Nikolai Kryuchkov, Lev
Sverdlin
Duração: 72 minutos
A trama tem os contornos duma narrativa mítica: dois
marinheiros naufragados vão dar a uma praia numa ilha não nomeada, onde se encontra
uma mulher que parece que os espera desde a eternidade do tempo. E, com eles,
chega a paixão, como se esta emanasse das ininterruptas e avassaladoras ondas
do mar.
Poucas vezes o mar terá sido filmado com a intensidade com
que este filme começa. E são vagas constantes, fotografadas com uma luz que
quase cega quem as vê, que determinam a beleza de todo o filme.
Só depois vem, como em qualquer outro filme soviético, o
contexto histórico: a mulher dirige uma cooperativa de pescadores e fica feliz
por um dos náufragos ser um mecânico que poderá vigiar o motor dos barcos da
cooperativa, já que os mecânicos que a integravam foram todos mobilizados para
a frota naval do Pacífico. Depois, o império do colectivo, como se a história fosse
um “deus ex machina”, irá determinar o desenlace da trama, transformando, de
acordo com o alinhamento do cinema soviético, em boa e feliz consciência a
amargura do final.
Em todas as dimensões, uma verdadeira pérola.

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