quarta-feira, 30 de setembro de 2026

À BEIRA DO MAR AZUL de BORIS BARNET

 


Título: U samogo siniego morya (transliteração do cirílico)

Título em inglês: By the Bluest of Seas

Título em Portugal: À Beira do Mar Azul

Realizador: Boris Barnet

Ano: 1936

País: Rússia

Argumento: Klimently Mints

Fotografia: Mikhail Kirillov

Produção: Mezhrabpomfilm

Elenco principal: Yelena Kuzmina, Nikolai Kryuchkov, Lev Sverdlin

Duração: 72 minutos

A trama tem os contornos duma narrativa mítica: dois marinheiros naufragados vão dar a uma praia numa ilha não nomeada, onde se encontra uma mulher que parece que os espera desde a eternidade do tempo. E, com eles, chega a paixão, como se esta emanasse das ininterruptas e avassaladoras ondas do mar.

Poucas vezes o mar terá sido filmado com a intensidade com que este filme começa. E são vagas constantes, fotografadas com uma luz que quase cega quem as vê, que determinam a beleza de todo o filme.

Só depois vem, como em qualquer outro filme soviético, o contexto histórico: a mulher dirige uma cooperativa de pescadores e fica feliz por um dos náufragos ser um mecânico que poderá vigiar o motor dos barcos da cooperativa, já que os mecânicos que a integravam foram todos mobilizados para a frota naval do Pacífico. Depois, o império do colectivo, como se a história fosse um “deus ex machina”, irá determinar o desenlace da trama, transformando, de acordo com o alinhamento do cinema soviético, em boa e feliz consciência a amargura do final.

Em todas as dimensões, uma verdadeira pérola.


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